“Os homens jamais praticam o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa” – Blaise Pascal (1623-1662).
Um dos argumentos apresentados por portugueses e espanhóis para a conquista e ocupação da América foi a conversão dos nativos ao cristianismo. Juntamente com os comerciantes e colonizadores interessados na exploração econômica do continente, vieram ordens religiosas como os dominicanos e os jesuítas. Esta última ordem religiosa foi organizada na Europa neste período de Conquista da América e Contrarreforma na Igreja
Colonizadores e religiosos por vezes entraram em disputas quanto ao que fazer com os índios (assim chamados milhares de povos diferentes). Foi o frei dominicano Bartolomeu de Las Casas quem denunciou os terrores que os espanhóis infringiram (causaram) aos nativos do México. Já Os jesuítas entraram em choque com os paulistas para defender os “índios” Guarani da escravidão, no interior do território que hoje compreende o Brasil e também os países vizinhos. Mas a Igreja também serviu para dominar e pacificar os povos indígenas.
No Brasil a primeira forma de exploração econômica foi a retirada do pau-brasil (cuja madeira era usada, entre outros fins, para fazer tinta). A principal mão-de-obra utilizada foi a indígena. Como vocês estão estudando em geografia, logo os portugueses também passaram a plantar a cana-de-açúcar no nordeste e sudeste do Brasil. Em seguida as criações de gado e plantações de tabaco também assumiram um papel importante. Este último era especialmente trocado por escravos na Costa africana. Já que muitos indígenas estavam morrendo nas guerras, epidemias e por trabalhos forçados, os europeus começaram a intensificar a escravidão africana. Milhões de seres humanos foram capturados pelo comércio legal e ilegal de escravos entre os séculos XVI e XIX.
Já nas regiões da América conquistadas pelos espanhóis, a principal atividade econômica foi a mineração de prata e do ouro (que só foi encontrado pelos portugueses no século XVIII, como veremos adiante). Estes metais preciosos foram encontrados na década de 1540 na península de Yucatán (onde viviam os antigos maias) e em Potosí (região dos Incas). Neste caso, o trabalho dos nativos foi intensamente utilizado. Se na América Portuguesa a primeira forma de domínio da terra foram as Capitanias Hereditárias, e consequentemente a distribuição de sesmarias, na América Espanhola existiu a encomienda. Neste caso não era apenas a terra que era concedida pelo Rei, mas também o trabalho dos indígenas que moravam nas proximidades. No caso do Peru, os espanhóis utilizaram-se da mita, instituição já existente no período Inca, mas totalmente deformada pelos colonizadores. A mita do período incaico determinava que as pessoas deviam algum tempo de trabalho ao Inca ou ao chefe local (curaca) e para isso deslocavam-se de suas aldeias. Os espanhóis obrigaram os indígenas a trabalhar em suas plantações, e, em especial, na insalubre e mortífera mina de prata em Potosí. Estes metais eram utilizados pelos europeus como moeda para suas trocas comerciais e alimentaram o que costumamos chamar de Mercantilismo.
Como veremos em seguida, foram os economistas que chamaram de mercantilismo o sistema econômico europeu (e consequentemente de seus domínios pelo mundo) entre os séculos XVI e XVIII. Este sistema pressupunha especialmente a intervenção do Estado na economia, a manutenção de uma balança comercial favorável e, especialmente no caso de Portugal e Espanha, o metalismo (acúmulo de metais preciosos). Ele foi levado a cabo por monarcas absolutistas de Estados centralizados. Foi esta mesma centralização estatal que possibilitou que Espanha e Portugal saíssem à frente nas chamadas Grandes Nagevações.
O principal interesse dos conquistadores, comerciantes e colonizadores da América parece ter sido o enriquecimento (à custa, é claro, do trabalho e extermínio dos povos que aqui viviam). Certamente o sentimento de superioridade cultural e religiosa facilitou a justificação pessoal da violência contra estas populações. Durante algum tempo a Igreja discutiu se os “índios” tinham ou não alma, como os demais seres humanos. Como já vimos em aula, a conquista da América pelos europeus foi possivelmente o maior genocídio da história da humanidade.