Entrevista com a arqueóloga Niède Guidon, veja no link abaixo:
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/08/22/Por-que-as-pinturas-rupestres-da-Serra-da-Capivara-est%C3%A3o-em-risco
Blog criado para compartilhar atividades e leituras com estudantes do Ensino Fundamental II
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Duas cidades perdidas do Egito antigo.
Exposição no Museu Britânico. Veja o vídeo de 30 segundos sobre a descoberta, há 20 anos, de cidades há mais de 1.000 anos submersas.
http://www.britishmuseum.org/whats_on/exhibitions/sunken_cities.aspx
http://www.britishmuseum.org/whats_on/exhibitions/sunken_cities.aspx
Trocas culturais e extermínio de indígenas em SC
"Na manhã ensolarada que se abria, dona Carola juntou as trouxas de roupa suja, uma pequena pedra de são e foi novamente às costas do rio Marombas para lavá-las, como fazia todo dia. Preferia ir sempre bem cedo e sozinha, nesta hora do dia não gostava da companhia das comadres, que eram muito faladeiras e acabam por atrapalhar o seu serviço. Não esquecia de levar duas cuias, uma com açúcar, outra com farinha, para presentear o bugre secreto que sempre espreitava a margem do rio.
Carola deixava as cuias em cima de uma pedra, que ficava um pouco distante da margem, na trilha de acesso que descia a barranca em direção ao leito do rio. Quando lavava as roupas não conseguia enxergá-la. Só quando estava encerrado o serviço é que, seguindo a trilha de volta para casa, passava pela frente da pedra recolhendo o presente deixado pelo bugre: um pequeno cesto, às vezes um cocar, colares de semente de imbuia, outras vezes pinhões e pele seca de capivara. Por muito tempo dona Carola trocou objetos com seu desconhecido amigo, sem nunca vê-lo. Não queria falar destas trocas com as amigas e os parentes, eles não entenderiam. Era uma viúva que já tinha visto muita coisa na vida, não tinha medo de caipora e nem de mula-sem-cabeça, queria continuar indefinidamente com estas trocas silenciosas que enchiam sua alma de paz e sensação de equilíbrio. (...)
Certo dia de outono, a cerração matinal ainda era forte. dona Carola iniciava a bateção de roupas na margem do Marombas, quando escutou um forte estampido, seguido de um grito. Correu rapidamente à pedra e viu um menino índio morto. Atrás de uma capoeira distante levantou-se Clemente, seu sobrinho, apontando orgulhoso para a carabina que carregava, sinalizando á sua tia que tinha liquidado com o perigoso bugre que a espreitava desprotegida. Logo viram que o menino carregava apenas um cesto colorido.
Depois desse acontecimento, os botocudos da região, como represália, fizeram alguns ataques aos sítios da redondeza e todos os homens de Curitibanos se armaram e liquidaram com a presença indígena em toda a bacia do rio Marombas".
Relato de Ilson Neves de Moraes em 13 de nov. de 1998, citado por Paulo Pinheiro Machado em: Bugres, tropeiros e birivas: aspectos do povoamento do planalto serrano. In: Ana Brancher e Silvia Maria Fávero Arend. História de Santa Catarina no século XIX. Florianópolis: Editora da UFSC, 2001, p. 11-12. Apud Lilian Sourient (el. all.) Coleção Interagindo com a História. Santa Catarina. São Paulo Editora do Brasil, 2005, p. 30-31.
Fluxo de escravos entre a África e as Américas
Fluxo
de escravos entre a África e as Américas de acordo com as áreas de
orgiem e recepção dos cativos, 1501-1600.
Regiões de origem
|
[Pessoas escravizadas]*
|
%
|
1. África Ocidental
|
159.627
|
57,5
|
Senegâmbia e Bacia Atlântica
|
147.281
|
|
Serra Leoa
|
1.405
|
|
Windward Coast
|
2.482
|
|
Baía de Biafra
|
8.459
|
|
2. África Central Atlântica e
St. Helena
|
117.878
|
42,5
|
Total de exportados
|
277.505
|
100
|
Regiões de desembarque
|
%
|
|
1. Europa
|
640
|
0,3
|
2. América Espanhola
|
169.370
|
85
|
3. Brasil
|
29.275
|
14,7
|
Total de importados
|
199.285
|
100
|
Fonte: Manolo Florentino. Aspectos
do trático negreiro na África Ocidental c.1500-c.1800. In: FRAGOSO,
João; GOUVÊA, Maria de Fátima. O Brasil Colonial. Vol.1Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014, p. 232. * Nota minha CT.
Fluxo
de escravos entre a África e as Américas de acordo com as áreas de
orgiem e recepção dos cativos, 1601-1700.
Regiões de origem
|
[Pessoas escravizadas]*
|
%
|
1. África Ocidental
|
709.110
|
37,8
|
Senegâmbia e Bacia Atlântica
|
136.104
|
|
Serra Leoa
|
6.843
|
|
Windward Coast
|
1.350
|
|
Baía de Benin
|
269.812
|
|
Baía de Biafra
|
186.322
|
|
2. África Central Atlântica e
St. Helena
|
1.134.807
|
60,5
|
3. África Sul-Oriental e ilhas do Índico
|
31.715
|
1,7
|
Total de exportados
|
1.875.631
|
100
|
Regiões de desembarque
|
[Pessoas escravizadas]*
|
%
|
1. Europa
|
2.981
|
0,2
|
2. América do Norte
|
15.147
|
1
|
3. Caribe Britânico
|
310.477
|
20,4
|
4. Caribe Francês
|
38.685
|
2,5
|
5. América Holandesa
|
124.504
|
8,2
|
6. Caribe Dinamarquês
|
18.146
|
1,2
|
7. América Espanhola
|
225.504
|
14,8
|
8. Brasil
|
784.557
|
51,5
|
9. África
|
3.122
|
0,2
|
Total de importados
|
1.522.677
|
100
|
Fonte: Manolo Florentino. Aspectos
do trático negreiro na África Ocidental c.1500-c.1800. In: FRAGOSO,
João; GOUVÊA, Maria de Fátima. O Brasil Colonial. Vol.1Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014, p. 232. * Nota minha CT.
Fluxo
de escravos entre a África e as Américas de acordo com as áreas de
orgiem e recepção dos cativos, 1701-1800.
Regiões de origem
|
[Pessoas escravizadas]*
|
%
|
1. África Ocidental
|
4.058.485
|
62,5
|
Senegâmbia e Bacia Atlântica
|
363.187
|
|
Serra Leoa
|
201.985
|
|
Windward Coast
|
289.583
|
|
Baía de Benin
|
1.284.585
|
|
Baía de Biafra
|
904.616
|
|
2. África Central Atlântica e
St. Helena
|
2.365.204
|
36,4
|
3. África Sul-Oriental e ilhas do Índico
|
70.930
|
1,1
|
Total de exportados
|
6.494.619
|
100
|
Regiões de desembarque
|
[Pessoas escravizadas]*
|
%
|
1. Europa
|
5.240
|
0,09
|
2. América do Norte
|
295.482
|
5,3
|
3. Caribe Britânico
|
1.813.323
|
32,3
|
4. Caribe Francês
|
995.133
|
17,7
|
5. América Holandesa
|
295.215
|
5,3
|
6. Caribe Dinamarquês
|
68.608
|
1,2
|
7. América Espanhola
|
145.533
|
2,6
|
8. Brasil
|
1.989.017
|
35,4
|
9. África
|
2.317
|
0,04
|
Total de importados
|
5.609.869
|
100
|
Fonte: Manolo Florentino. Aspectos
do trático negreiro na África Ocidental c.1500-c.1800. In: FRAGOSO,
João; GOUVÊA, Maria de Fátima. O Brasil Colonial. Vol.1Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014, p. 232. * Nota minha CT.
Para saber mais sobre o Egito Antigo
O Egito Antigo
Livro de Arnoldo Doberstein, professor de História Antiga da PUCRS desde 1982.
Coleção didática da PUCRS disponível em PDF:
http://www.pucrs.br/edipucrs/oegitoantigo.pdf
Livro de Arnoldo Doberstein, professor de História Antiga da PUCRS desde 1982.
Coleção didática da PUCRS disponível em PDF:
http://www.pucrs.br/edipucrs/oegitoantigo.pdf
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Canção Negra
Ó boca em tromba retorcida
Cuspindo injúrias para o Céu,
Aberta e pútrida ferida
Em tudo pondo igual labéu.
Ó boca em chamas, boca em chagas,
Somente anátemas a rir,
De tantas pragas, tantas pragas
Em catadupas a rugir.
Ó bocas de uivos e pedradas,
Visão histérica do Mal,
Cortando como mil facadas
Dum golpe só, transcendental.
Sublime boca sem pecado,
Cuspindo embora a lama e o pus,
Tudo a deixar transfigurado,
O lodo a transformar em luz.
Boca de ventos inclemente
De universais revoluções,
Alevantando as hostes quentes,
Os sanguinários batalhões.
Abençoada a canção velha
Que os lábios teus cantam assim
Na tua face que se engelha,
Da cor de lívido marfim.
Parece a furna do Castigo
Jorrando pragas na canção,
A tua boca de mendigo,
Tão tosco como o teu bordão.
Boca fatal de torvos trenos!
Da onipotência do bom Deus,
Louvados sejam tais venenos,
Purificantes como os teus!
Tudo precisa um ferro em brasa
Para este mundo transformar...
Nos teus anátemas põe asa
E vai no mundo praguejar!
Ó boca ideal de rudes trovas,
Do mais sangrento resplendor,
Vai reflorir todas as covas,
O facho a erguer da luz do Amor.
Nas vãs misérias deste mundo
Dos exorcismos cospe o fel...
Que as tuas pragas rangem fundo
O coração desta Babel.
Mendigo estranho! Em toda a parte
Vai com teus gritos, com teus ais,
Como o simbólico estandarte
Das tredas convulsões mortais!
Resume todos esses travos
Que a terra fazem languescer.
Das mãos e pés arranca os cravos
Das cruzes mil de cada Ser.
A terra é mãe! - mas ébria e louca
Tem germens bons e germens vis...
Bendita seja a negra boca
Que tão malditas coisas diz!
Cruz e Souza
Cuspindo injúrias para o Céu,
Aberta e pútrida ferida
Em tudo pondo igual labéu.
Ó boca em chamas, boca em chagas,
Somente anátemas a rir,
De tantas pragas, tantas pragas
Em catadupas a rugir.
Ó bocas de uivos e pedradas,
Visão histérica do Mal,
Cortando como mil facadas
Dum golpe só, transcendental.
Sublime boca sem pecado,
Cuspindo embora a lama e o pus,
Tudo a deixar transfigurado,
O lodo a transformar em luz.
Boca de ventos inclemente
De universais revoluções,
Alevantando as hostes quentes,
Os sanguinários batalhões.
Abençoada a canção velha
Que os lábios teus cantam assim
Na tua face que se engelha,
Da cor de lívido marfim.
Parece a furna do Castigo
Jorrando pragas na canção,
A tua boca de mendigo,
Tão tosco como o teu bordão.
Boca fatal de torvos trenos!
Da onipotência do bom Deus,
Louvados sejam tais venenos,
Purificantes como os teus!
Tudo precisa um ferro em brasa
Para este mundo transformar...
Nos teus anátemas põe asa
E vai no mundo praguejar!
Ó boca ideal de rudes trovas,
Do mais sangrento resplendor,
Vai reflorir todas as covas,
O facho a erguer da luz do Amor.
Nas vãs misérias deste mundo
Dos exorcismos cospe o fel...
Que as tuas pragas rangem fundo
O coração desta Babel.
Mendigo estranho! Em toda a parte
Vai com teus gritos, com teus ais,
Como o simbólico estandarte
Das tredas convulsões mortais!
Resume todos esses travos
Que a terra fazem languescer.
Das mãos e pés arranca os cravos
Das cruzes mil de cada Ser.
A terra é mãe! - mas ébria e louca
Tem germens bons e germens vis...
Bendita seja a negra boca
Que tão malditas coisas diz!
Cruz e Souza
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Povos indígenas no Brasil - Passado e Presente - Trabalho de História para o 7o ano.
Leia a narrativa de um chefe tupinambá, publicada em 1612 a partir da escrita de um padre jesuíta e responda:
https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/narrativas-indigenas/narrativa-tupinamba
1) Segundo o texto, os tupinambás desejavam ter relações com os europeus? Que tipo de relações eles julgavam válidas? Por quê?
2) Que tipo de atitudes tiveram em comum portugueses e franceses quando buscaram se estabelecer no território indígena? Porque estas atitudes desagradavam os tupinambás?
3) Pesquise na Internet ou em livros didáticos de história a ocupação e trânsito de franceses e portugueses no território que atualmente pertence ao Brasil; bem como sobre suas guerras entre si e com os indígenas (Citar a fonte, livro ou site pesquisado).
4) Pesquise no site de onde foi retirada a narrativa do link acima e descubra mais sobre as populações indígenas do Brasil. Cada grupo deverá escolher uma população e trazer informações sobre:
a) Onde viviam e onde vivem atualmente.
b) Costumes, língua e tradições.
c) cotidiano.
d) Influências na cultura brasileira (palavras, alimentos, etc).
e) Relacionamento com não-indígenas (contato).
f)
Problemas enfrentados na atualidade.
As 4 questões devem ser entregues em papel impresso ou manuscrito legível, contendo nome da escola, nome completo dos integrantes, data da entrega e turma.
Em seguida cada grupo apresentará para os colegas as informações sobre a população escolhida. Lembrando que já fizemos esta escolha e os grupos estão pesquisando as seguintes etnias: Guarani Kaiowa, Guarani Nandeva, kaingang, karapanã, Karajá, Ashaninka, Bororo, Guajá, Kadiwéu.
Os grupos devem também recolher algumas imagens sobre os povos, pois num momento final iremos elaborar em aula um cartaz sobre cada um deles.
Durante o processo de conquista e colonização do território brasileiro os portugueses também entraram em conflito com os holandeses, que dominaram o nordeste entre 1630 e 1654. Leia a notícia a seguir e saiba um pouco mais a respeito:
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/150925_portugal_holanda_brasil_lgb?SThisFB#share-tools
O surgimento das primeiras cidades - Trabalho de História para o 6o ano.
As primeiras vilas de que temos notícia pela arqueologia, formaram-se na região conhecida como mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates), no Oriente Médio há cerca de 9.000 anos atrás. Estas vilas organizaram-se em função da agricultura e do pastoreio. Por volta de 3.500 ac (antes de Cristo) elas já eram grandes cidades. Nestas cidades havia um culto politeísta (a vários deuses), em templos chamados de zigurates.
Por esta época também já existiam vilas e cidades na África, na Ásia e na América do Sul. A antiguidade de 5.000 anos da cidade de Caral no Perú foi confirmada em 1997, pela arqueóloga Ruth Solís. Ela é contemporânea às grandes cidades da Mesopotâmia e do Egito.
http://www.iela.ufsc.br/noticia/caral-cidade-mais-antiga-de-abya-yala
1) Segundo a jornalista, a que se atribui o fato de que a cidade de Caral não tinha muros e caráter militar?
2) Você acredita que a arqueologia pode vir a descobrir outras civilizações antigas? Por quê?
3) Em que país fica localizada a cidade de Caral? Este país faz fronteira com o Brasil atual? Com que países ele faz fronteira?
4) Você acha que há uma proteção integral ao patrimônio histórico da América do Sul? Pesquise na internet algum episódio de descaso com este patrimônio.
5) Em que período cronológico floresceu a civilização de Caral?
6) Que elementos indicam um "momento de cultura mais avançada" região de Caral?
7) Quais são as causas prováveis, apontadas pela arqueologia, para o declínio desta civilização?
8) Após o declínio da civilização de Caral houve outras civilizações naquela região? Dê exemplos.
Os trabalhos poderão ser feitos em duplas. Devem ser entregues em papel impresso ou manuscrito legível, contendo nome da escola, nome dos integrantes, data da entrega e turma. As questões devem ser respondidas com a escrita própria dos estudantes (escrever com as próprias palavras) e para sua compreensão haverá auxílio da professora.
Por esta época também já existiam vilas e cidades na África, na Ásia e na América do Sul. A antiguidade de 5.000 anos da cidade de Caral no Perú foi confirmada em 1997, pela arqueóloga Ruth Solís. Ela é contemporânea às grandes cidades da Mesopotâmia e do Egito.
Atividade
Leia o texto da jornalista Elaine Tavares acessando o link abaixo e responda as questões:
http://www.iela.ufsc.br/noticia/caral-cidade-mais-antiga-de-abya-yala
1) Segundo a jornalista, a que se atribui o fato de que a cidade de Caral não tinha muros e caráter militar?
2) Você acredita que a arqueologia pode vir a descobrir outras civilizações antigas? Por quê?
3) Em que país fica localizada a cidade de Caral? Este país faz fronteira com o Brasil atual? Com que países ele faz fronteira?
4) Você acha que há uma proteção integral ao patrimônio histórico da América do Sul? Pesquise na internet algum episódio de descaso com este patrimônio.
5) Em que período cronológico floresceu a civilização de Caral?
6) Que elementos indicam um "momento de cultura mais avançada" região de Caral?
7) Quais são as causas prováveis, apontadas pela arqueologia, para o declínio desta civilização?
8) Após o declínio da civilização de Caral houve outras civilizações naquela região? Dê exemplos.
Os trabalhos poderão ser feitos em duplas. Devem ser entregues em papel impresso ou manuscrito legível, contendo nome da escola, nome dos integrantes, data da entrega e turma. As questões devem ser respondidas com a escrita própria dos estudantes (escrever com as próprias palavras) e para sua compreensão haverá auxílio da professora.
O que são terras indígenas
"As Terras Indígenas (TI) são territórios tradicionalmente ocupados por diferentes povos indígenas, algumas já reconhecidas oficialmente, outras apenas identificadas e outras em processo de demarcação. No Brasil hoje existem 896 mil pessoas que se declaram indígenas, das quais 517.383 (57,7%) vivem em Terras Indígenas. São 305 povos diferentes entre si, falantes de 274 línguas e vivendo em cerca de 1.047 Terras Indígenas (dados do Cimi). Porém, muitas delas ainda não foram legalizadas, o que acarreta situações de conflito dramáticas, como as mortes por assassinato. Essas terras não servem apenas para os indígenas. São lugares onde o meio ambiente é preservado a biodiversidade prospera. Se demarcadas, estas terras ocupariam cerca de 13% do território nacional. Porém, em alguns estados, como no centro sul do Brasil as TIs representam menos de 0,5%. Nunca podemos esquecer que são terras de povos/coletividades e não apenas meio de produção e que os povos indígenas já nos deixaram 87% do Brasil. Infelizmente nos últimos anos do governo reconheceu somente 11 TIs. É um resultado catastrófico para esses povos."
https://pec215nao.files.wordpress.com/2015/04/panfleto-pec-13-04-15-final.pdf
segunda-feira, 18 de julho de 2016
A Conquista e Colonização da América pelos ibéricos (portugueses e espanhóis).
“Os homens jamais praticam o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa” – Blaise Pascal (1623-1662).
Um dos argumentos apresentados por portugueses e espanhóis para a conquista e ocupação da América foi a conversão dos nativos ao cristianismo. Juntamente com os comerciantes e colonizadores interessados na exploração econômica do continente, vieram ordens religiosas como os dominicanos e os jesuítas. Esta última ordem religiosa foi organizada na Europa neste período de Conquista da América e Contrarreforma na Igreja
Colonizadores e religiosos por vezes entraram em disputas quanto ao que fazer com os índios (assim chamados milhares de povos diferentes). Foi o frei dominicano Bartolomeu de Las Casas quem denunciou os terrores que os espanhóis infringiram (causaram) aos nativos do México. Já Os jesuítas entraram em choque com os paulistas para defender os “índios” Guarani da escravidão, no interior do território que hoje compreende o Brasil e também os países vizinhos. Mas a Igreja também serviu para dominar e pacificar os povos indígenas.
No Brasil a primeira forma de exploração econômica foi a retirada do pau-brasil (cuja madeira era usada, entre outros fins, para fazer tinta). A principal mão-de-obra utilizada foi a indígena. Como vocês estão estudando em geografia, logo os portugueses também passaram a plantar a cana-de-açúcar no nordeste e sudeste do Brasil. Em seguida as criações de gado e plantações de tabaco também assumiram um papel importante. Este último era especialmente trocado por escravos na Costa africana. Já que muitos indígenas estavam morrendo nas guerras, epidemias e por trabalhos forçados, os europeus começaram a intensificar a escravidão africana. Milhões de seres humanos foram capturados pelo comércio legal e ilegal de escravos entre os séculos XVI e XIX.
Já nas regiões da América conquistadas pelos espanhóis, a principal atividade econômica foi a mineração de prata e do ouro (que só foi encontrado pelos portugueses no século XVIII, como veremos adiante). Estes metais preciosos foram encontrados na década de 1540 na península de Yucatán (onde viviam os antigos maias) e em Potosí (região dos Incas). Neste caso, o trabalho dos nativos foi intensamente utilizado. Se na América Portuguesa a primeira forma de domínio da terra foram as Capitanias Hereditárias, e consequentemente a distribuição de sesmarias, na América Espanhola existiu a encomienda. Neste caso não era apenas a terra que era concedida pelo Rei, mas também o trabalho dos indígenas que moravam nas proximidades. No caso do Peru, os espanhóis utilizaram-se da mita, instituição já existente no período Inca, mas totalmente deformada pelos colonizadores. A mita do período incaico determinava que as pessoas deviam algum tempo de trabalho ao Inca ou ao chefe local (curaca) e para isso deslocavam-se de suas aldeias. Os espanhóis obrigaram os indígenas a trabalhar em suas plantações, e, em especial, na insalubre e mortífera mina de prata em Potosí. Estes metais eram utilizados pelos europeus como moeda para suas trocas comerciais e alimentaram o que costumamos chamar de Mercantilismo.
Como veremos em seguida, foram os economistas que chamaram de mercantilismo o sistema econômico europeu (e consequentemente de seus domínios pelo mundo) entre os séculos XVI e XVIII. Este sistema pressupunha especialmente a intervenção do Estado na economia, a manutenção de uma balança comercial favorável e, especialmente no caso de Portugal e Espanha, o metalismo (acúmulo de metais preciosos). Ele foi levado a cabo por monarcas absolutistas de Estados centralizados. Foi esta mesma centralização estatal que possibilitou que Espanha e Portugal saíssem à frente nas chamadas Grandes Nagevações.
O principal interesse dos conquistadores, comerciantes e colonizadores da América parece ter sido o enriquecimento (à custa, é claro, do trabalho e extermínio dos povos que aqui viviam). Certamente o sentimento de superioridade cultural e religiosa facilitou a justificação pessoal da violência contra estas populações. Durante algum tempo a Igreja discutiu se os “índios” tinham ou não alma, como os demais seres humanos. Como já vimos em aula, a conquista da América pelos europeus foi possivelmente o maior genocídio da história da humanidade.
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